Covid-19: Brasil ultrapassa 1,5 milhão de curados

Número é superior à quantidade de casos ativos, ou seja, pessoas que estão em acompanhamento médico. Informações foram atualizadas às 18h30 desta sexta-feira (24/7)
Nesta sexta-feira (24/7) o Brasil registrou 1.592.281 pessoas recuperadas da doença. No mundo todo, estima-se que cerca de 7,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Covid-19 já se recuperaram. O número de pessoas curadas é superior à quantidade de casos ativos (655.847), que são pacientes que estão em acompanhamento médico. O registro de pessoas curadas já representa mais da metade do total de casos acumulados (67,9%). As informações foram atualizadas às 18h30 e foram enviadas pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.
O Governo do Brasil mantém esforço contínuo para garantir o atendimento em saúde à população, em parceria com estados e municípios, desde o início da pandemia. O objetivo é cuidar da saúde de todos e salvar vidas, além de promover e prevenir a saúde da população. Dessa forma, a pasta tem repassado verbas extras e fortalecido a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com envio de recursos humanos (médicos e profissionais de saúde), insumos, medicamentos, ventiladores pulmonares, testes de diagnóstico, habilitações de leitos de UTI para casos graves e gravíssimos e Equipamentos de Proteção Individual (EPIS) para os profissionais de saúde.
O Ministério da Saúde já enviou mais de R$ 63,4 bilhões a estados e municípios para o financiamento das ações e serviços públicos de saúde, sendo R$ 16,1 bilhões voltados exclusivamente para combate ao coronavírus. Também já foram comprados e distribuídos mais de 15,9 milhões de unidades de medicamentos para auxiliar no tratamento do coronavírus, 208,5 milhões de EPIS, mais de 12,5 milhões de testes de diagnóstico para Covid-19 e 79,9 milhões de doses da vacina contra a gripe, que ajuda a diminuir casos de influenza e demais síndromes respiratórias no meio dos casos de coronavírus.
O Ministério da Saúde, em apoio irrestrito a estados e municípios, também tem ajudado os gestores locais do SUS na compra e distribuição de ventiladores pulmonares, sendo que já entregou 8.449 equipamentos para todos os estados brasileiros.
As iniciativas e ações estratégicas são desenhadas conforme a realidade e necessidade de cada região, junto com estados e municípios, e têm ajudado os gestores locais do SUS a ampliarem e qualificarem os atendimentos, trazendo respostas mais efetivas às demandas da sociedade.
Neste momento, o Brasil tem 2.343.366 casos confirmados da doença, sendo 55.891 registrados nos sistemas nacionais nas últimas 24h.
Em relação aos óbitos, o Brasil possui 85.238 mortes por coronavírus. Nas últimas 24h, foram registradas 1.156 mortes nos sistemas oficiais, a maior parte aconteceu em outros períodos, mas tiveram conclusão das investigações com confirmações das causas por Covid-19 apenas neste período. Assim, 410 óbitos, de fato, ocorreram nos últimos três dias. Outros 3.741 seguem em investigação.

CENÁRIO INTERNACIONAL 

Até o fechamento do último Boletim Epidemiológico (18/7), o Brasil ocupava a segunda posição em relação ao número de casos (2.074.860) e registro de óbitos (78.772). Contudo, quando considerado o parâmetro populacional, por milhão de habitantes, entre os países de todo o mundo, o Brasil ocupa a 10ª posição em relação aos casos (9.873) confirmados e a 10ª colocação no que se refere ao número de óbitos (374). A medida populacional é a taxa padrão para comparações entre os países.

Saúde repassa R$ 2,4 milhões para formação profissional em saúde da família

Recursos mensais são destinados aos municípios que possuem equipes de Saúde da Família ou de Saúde Bucal com profissionais vinculados a programas de residência na Atenção Primária
Equipes de saúde de todo o país que estiverem integradas a programas de formação profissional da Atenção Primária receberão o incentivo financeiro de R$ 2,4 milhões em custeio adicional do Ministério da Saúde. Serão transferidos aos municípios valores que chegam até R$ 15 mil mensais por equipe que atuar em postos de saúde de todo o país e possuir em sua composição um ou mais profissionais como médicos, dentistas ou enfermeiros vinculados a programas de residência em Medicina de Família e Comunidade, Atenção Primária à Saúde ou em Saúde da Família. Ao todo, 51 municípios de 14 estados serão contemplados com os recursos adicionais.
A medida visa fortalecer a oferta de serviços e a qualificação da assistência à população na Atenção Primária e com a iniciativa serão beneficiadas 469 equipes de Saúde da Família e 60 equipes de Saúde Bucal. Dentre essas equipes, estão vinculados 477 residentes de medicina, 154 de enfermagem e 67 de odontologia.
A medida integra o Programa Previne Brasil e corresponde ao incentivo para ações estratégicas. A formação especializada de profissionais de nível superior permite que os municípios qualifiquem a assistência no âmbito da Atenção Primária e aumentem sua capacidade de captação e fixação de profissionais, uma vez que grande parte deles segue atuando nos municípios após a sua formação. 

INCENTIVO POR PROFISSIONAIS EM FORMAÇÃO

Há no país 193 programas de residência médica em Medicina da Família e Comunidade e 197 programas de residência em área profissional de saúde (dentistas e enfermeiros), distribuídos em 156 cidades de 25 estados, incluindo o DF. A maior parte das bolsas destes programas de residência médica (5.366) e multiprofissional (6.078) é custeada pelo Ministério da Saúde.
O que muda é que, além do custeio das bolsas pagas diretamente aos profissionais de saúde, o Ministério da Saúde também incentivará os municípios com equipes integradas a programas de residência médica ou multiprofissional na Atenção Primária. 
A residência é uma modalidade de pós-graduação para profissionais da área da saúde com nível superior, com duração de dois anos. Durante este período, o residente médico, enfermeiro ou dentista realiza atendimento aos usuários , sob supervisão de especialistas. O objetivo do Ministério da Saúde com os novos recursos é, justamente, incentivar a especialização de mais profissionais para atuação na Atenção Primária.
Por Nicole Beraldo, da Agência Saúde

Missão Tiriós leva suprimentos, alimentos e atendimento aos indígenas do Norte

O Governo Federal tem reforçado o enfrentamento à Covid-19 nas comunidades indígenas da fronteira do Brasil. Entre os dias 17 e 20 de julho, a Missão Tiríos, uma ação conjunta dos Ministérios da Saúde, da Justiça e da Defesa, levou nove toneladas de alimentos, suprimentos médicos e profissionais de saúde para as comunidades indígenas do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Amapá e Norte do Pará.  
A ação beneficiou cerca de 2 mil indígenas das etnias Tiriyó e Kaxuyana, que vivem nas Terras Indígenas Parque do Tumucumaque e Paru D’Este, entre os estados do Pará e Amapá, na fronteira com o Suriname. As Equipes Multidisciplinares de Saúde contaram com o reforço de profissionais da Marinha do Brasil, Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira, do DSEI Amapá e Norte do Pará e do governo do estado do Amapá, por meio da Secretaria Estadual de Saúde.
Foram destinadas pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, 2,5 toneladas de medicamentos utilizados na Atenção Primária à Saúde, como antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos, para reforçar o estoque do DSEI.
“A Missão Tiriós é mais uma etapa importante da parceria com o Ministério da Defesa e apoio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. O trabalho incluiu profissionais e logística das Forças Armadas, com apoio total do DSEI. O Ministério da Saúde enviou medicamentos e testes. Foram realizados atendimento com profissionais, incluindo pediatra, ginecologia, clínico geral, infectologia, além de testagem para Covid-19 e outras ações relacionadas à Atenção Primária e Especializada”, destaca o Secretário Especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva.
Ao todo, 1.991 indígenas receberam atendimento com as equipes multidisciplinares. Foram realizados 433 testes rápidos, sendo que 91 indígenas testaram positivo e receberam acompanhamento dos profissionais.

AÇÕES

“Conseguimos fazer um diagnóstico mais preciso e prévio de indígenas infectados com o coronavírus e iniciar o tratamento e o protocolo terapêutico. Foi uma ação de suma importância para fazermos um monitoramento, uma busca ativa, principalmente do grupo de risco que são os idosos, as pessoas com comorbidades, os indígenas que apresentam hipertensão arterial, diabetes, que fazem tratamento oncológico e as gestantes”, afirmou o Coordenador do DSEI Amapá e Norte do Pará, Roberto Wagner Bernardes.
A FUNAI, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, enviou 6,5 toneladas de alimentos para reforçar a alimentação dos indígenas neste momento de pandemia. As cestas foram higienizadas pelo Exército Brasileiro e tiveram o apoio logístico das Forças Armadas na entrega às comunidades indígenas.
O Ministério da Defesa enviou uma equipe de 21 profissionais de saúde das Forças Armadas para reforçar a assistência prestada pelas equipes de saúde do DSEI Amapá e Norte do Pará durante a missão. São médicos generalistas e especialistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentistas e farmacêuticos. Todos passaram por inspeção sanitária e tiveram que apresentar testes RP-PCR negativos para Covid-19 antes do embarque.
Da Agência Saúde, com informações do Ministério da Defesa

Vacina contra Covid-19 chega ao Brasil; testes começam nesta terça

A vacina chinesa contra o coronavírus, produzida pelo laboratório Sinovac-Biotech, desembarcou na madrugada de hoje no Brasil. O imunobiológico, que será testado no Brasil em parceria com o Instituto Butantan, chegou em um voo da Lufthansa que saiu de Frankfurt ontem (19) e pousou às 4h12 no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
As 20 mil doses vão ser distribuídas em 12 centros de cinco estados – São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro – e no Distrito Federal. A previsão é que amanhã (21) sejam aplicadas as primeiras doses em profissionais selecionados no Hospital das Clínicas de São Paulo. Depois disso, começam os testes em outros centros.
Na semana passada, o governo de São Paulo recebeu mais de um milhão de acessos na plataforma de inscrições lançada para recrutar os voluntários, todos da área de saúde. No total, 9 mil vão ser selecionados para fazer parte do experimento.
A vacina chinesa está em fase adiantada de testes e a previsão dos cientistas é que já haja conclusão definitiva sobre sua eficácia em dezembro. Se tudo der certo, os grupos prioritários, como idosos, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde, poderão receber a vacina no Brasil já no primeiro trimestre.​

HIDROXICLOROQUINA: AMB DEFENDE AUTONOMIA DO MÉDICO

A Associação Médica Brasileira acompanha diversos estudos e pesquisas sobre a utilização de fármacos para tratamento ou quimioprofilaxia da Covid-19 que estão em curso no mundo inteiro. A avaliação é de que, até o momento, não existem estudos seguros, robustos e definitivos sobre a questão. Mesmo nos mais recentes, especialmente os da última semana, há várias fragilidades que impedem que sejam considerados conclusivos. Limitações foram alertadas pelos próprios autores, mas solenemente ignoradas por aqueles que parecem torcer pelo coronavírus.
Os holofotes da sociedade voltados para a pandemia, e em especial para a classe médica, por vezes acabam alimentando vaidades e ofuscando a percepção sobre a tênue fronteira entre o campo técnico-científico e o campo político/ideológico/partidário.
Quando, em 22 de maio, a revista The Lancet divulgou resultados de uma pesquisa que comprovaria a aparente ausência de efeitos da hidroxicloroquina no combate à Covid-19, causou espanto a reação de algumas pessoas e entidades: estavam comemorando!!!
Ficava claro ali que a discussão havia sido politizada. Afinal, o que justificaria tamanha euforia diante de notícia tão frustrante para a saúde da população? E justamente em um momento de ausência de tratamentos efetivos…
Dias depois, a The Lancet veio a público para se desculpar e informar que iria “despublicar” o estudo, a pedido dos autores. As “certezas” caíram por terra e o alarmismo contra o uso do fármaco silenciaram diante da perplexidade do caso.
Infelizmente, pouco se aprendeu com o episódio. Médicos, entidades, políticos, influenciadores e palpiteiros seguem monitorando estudos sobre o uso de hidroxicloroquina em pacientes acometidos pela Covid-19. Uns procurando provas de que se trata da salvação. Outros, de que é puro placebo. Ou pior: veneno (mesmo diante do fato de que os efeitos adversos são limitados e conhecidos há mais de cinco décadas). Muitos sairão da pandemia apequenados, principalmente médicos e entidades médicas que escolherem manipular a ciência para usá-la como arma no campo político-partidário.
É bastante provável que cheguemos ao final da pandemia sem evidências consistentes sobre tratamentos. E também sobre diversos outros aspectos próprios de uma nova enfermidade. Pois estudos adequados e robustos são caros e demorados. E estamos falando de uma medicação barata, que, portanto, não tem, nem terá financiamento da indústria que suporte os investimentos necessários para minimizar as incertezas.
“Análises criativas” dos atuais estudos permitem quaisquer tipos de interpretações. E vêm sendo usados de forma irresponsável pelos que tentam extrair deles conclusões que nem mesmo os autores se atreveram a patrocinar. Nesse cenário, os estudos recentes não podem ser considerados conclusivos, tampouco verdade científica, pois carecem de evidências.
O derby político em torno da hidroxicloroquina deixará um legado sombrio para a medicina brasileira, caso a autonomia do médico seja restringida, como querem os que pregam a proibição da prescrição da hidroxicloroquina. Essa restrição vai contra a própria Declaração de Helsinque: “No tratamento de um paciente individual, em que não existem intervenções comprovadas ou outras intervenções conhecidas foram ineficazes, o médico, após procurar aconselhamento especializado, com consentimento informado do paciente ou de um representante legal, pode usar uma intervenção não comprovada se, no julgamento do médico, oferecer esperança de salvar vidas, restabelecer a saúde ou aliviar o sofrimento. Essa intervenção deve ser posteriormente objeto de pesquisa, destinada a avaliar sua segurança e eficácia. Em todos os casos, novas informações devem ser registradas e, quando apropriado, disponibilizadas ao público”.
A AMB é signatária da Declaração de Helsinque, da WMA, juntamente com associações médicas de centenas de países. E tem o compromisso de defender a preservação da autonomia do médico. Também defenderá o Parecer 4/2020 do Conselho Federal de Medicina, que disciplina o assunto.
É importante lembrar que o uso off label de medicamentos é consagrado na medicina, desde que haja clara concordância do paciente. E que, sem a prática do off label, diversas doenças ainda estariam sem tratamento. Não se trata de apologia a este ou àquele fármaco. Trata-se de respeito aos padrões éticos e científicos construídos ao longo dos séculos.
Não podemos permitir que ideologias e vaidades, de forma intempestiva, alimentadas pelos holofotes, nos façam regredir em práticas já tão respeitadas. Não se pode clamar por ciência e adotar posicionamentos embasados em ideologia ou partidarismo, ignorando práticas consolidadas na medicina. Isso é um crime contra a medicina, contra os pacientes e, sobretudo, contra a própria ciência.
DIRETORIA DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA