Dos seis casos de Covid 19 registrados em Curaçá (BA), 4 tem alguma relação com a Mineração Caraíba; Empresa se manifesta

Na manhã desta quinta-feira (23), a Secretaria de Saúde do município de Curaçá, no norte da Bahia, confirmou mais três casos de covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus, registrando agora seis casos da doença. Todos os casos positivos da cidade foram confirmados em apenas uma semana.
Os últimos pacientes diagnosticados são uma jovem de 17, um jovem de 32 anos e um senhor de 66 anos, todos estão em isolamento domiciliar e sendo acompanhados pela equipe de saúde do município.
O primeiro foi anunciado no dia 16 de abril, quando a Secretaria de Saúde declarou transmissão comunitária, não sendo possível, portanto, identificar a origem do vírus. Outros dois casos foram confirmados no boletim do dia 19 de abril.
O crescimento do número de contaminados em um município de cerca de 32 mil habitantes em sete dias, chama atenção e dá um sinal de alerta. Até o momento, Juazeiro, 94 quilômetros de Curaçá, com uma população de mais de 230 mil, registra dez confirmações de Covid-19. O primeiro caso foi confirmado no dia 23 de março, exatamente um mês atrás.
Em investigação sobre o perfil dos pacientes infectados em Curaçá, obtivemos a informação de que dois deles são prestadores de serviço da Mineração Caraíba Metais, sendo um trabalhador direto e outra indireta, e mais dois são pessoas ligadas aos colaboradores. A primeira paciente diagnosticada, de 48 anos, presta serviço de lavanderia a funcionários da Mineração. Ela teve contato com a jovem de 17 anos, com resultado positivo divulgado hoje. Um homem de 32 anos, que também presta serviço à Mineração, está contaminado e teve contato com seu pai, um idoso de 66 anos, que também foi diagnosticado hoje, com o novo Coronavírus. Ou seja, dos 6 casos positivos registrados no município, 4 tem alguma relação com a Mineração.
Distante 35 quilômetros da sede da Mineração Caraíba, distrito de Pilar, Jaguarari, o município de Curaçá possui centenas de moradores que prestam serviço à empresa, grande parte na Mina Vermelhos. Não conseguimos apurar o número exato, mas é uma quantidade significativa de mão de obra do município. A Mineração conta com um total de mais de 3.100 colaboradores, entre diretos e terceirizados na sua sede.
Em um vídeo produzido pela Mineração Caraíba, divulgado nas redes sociais, a empresa afirma que criou um Comitê responsável pelo monitoramento e ações de combate ao Coronavírus, e adotou medidas preventivas, como higienização dos espaços, veículos e equipamentos, ampliação da oferta de álcool em gel para funcionários, uso de máscaras, vacinação contra gripe, verificação da temperatura dos colaboradores, entre outras.
O PNB entrou em contato com a assessoria de comunicação da empresa, buscando esclarecer sobre a efetividade e eficácia das medidas adotadas na sede de Pilar, qual justificativa para os casos de Curaçá ligados a empresa, e se existe um plano de contingenciamento para conter o Coronavírus, após os casos confirmados.
Conversamos com Rafael de Oliveira Cerqueira, analista de comunicação Sênior da empresa, que reafirmou a política de combate a pandemia adotada pela Mineração, em suas unidades de trabalho.
“Todas as nossas unidades gozam das mesmas ações de combate ao novo Coronavírus. Não há diferenciação, muito pelo contrário. A gente tem uma atuação consistente, que teve início no dia 28 de janeiro, com uma trabalho informativo sobre os cuidados contra a Covid-19, e os números no mundo. A gente tem um plano com mais de 150 ações, entre elas a compra de álcool gel, fornecimento de EPIs para quatro prefeituras, e dentro da empresa a gente tem uma série de ações. Não há restrição e nem diferenciação das práticas entre as unidades da empresa.”
Sobre as duas pessoas ligadas a empresa com confirmação do Coronavírus, ele disse que “as evidências de que a contaminação está acontecendo fora da empresa são maiores”.
“A cidade de Curaçá-BA, onde mora a maioria das pessoas que trabalha na Mina Vermelhos, decretou na semana passada Estado de Emergência e transmissão comunitária, ou seja, essa transmissão pode acontecer na rua, na fila do banco, na padaria, no mercado, e naturalmente as pessoas que trabalham na Mineração precisam desses insumos para tocar suas vidas. E talvez, esse contato com a comunidade de Curaçá, evidentemente em um contingente de mais de 600 trabalhadores, os funcionários tenham sido exposto ao Coronavírus. A gente não tem como apontar onde eles contraíram o vírus. É importante observar que o primeiro caso foi de uma profissional que trabalha no posto de saúde da cidade, e que tem uma lavanderia em casa. Ela não tem vínculo nenhum com a empresa, mas talvez tenha lavado roupa de algum funcionário, ou algo do tipo. Mas, não podemos afirmar isso. O segundo caso é de um rapaz, que trabalha em uma terceirizada da Mineração, e que tem contato com muitas pessoas. Não tem como prevê se pegou na Mina ou dentro da cidade. Nós entramos em contato com ele, e fomos informados que a mãe dele é enfermeira, trabalha no posto de saúde, e o pai dele também foi diagnosticado com a Covid-19. Portanto, as evidências de que a contaminação está acontecendo fora da empresa são maiores.”
Nós já entramos em contato com a Prefeitura de Curaçá solicitando um posicionamento do município, já que muitos moradores prestam serviço à empresa e voltam para suas residências diariamente. Estamos aguardando resposta.Fonte: pretonobranco.org