'Tenho medo dele ser solto', diz irmã de atendente morta em Salvador

"Estou aliviada, mas ainda tenho medo dele ser solto". A frase é de Maraísa Bramont, 31 anos, irmã da atendente de consultório odontológico Isabel Cristina Bramont Moraes, 35, morta pelo ex- companheiro Jairo Fernandes, no bairro de Itapuã, em Salvador. No sábado (23), Jairo passou pela audiência de custódia e teve a prisão decretada. "Ele é um assassino. Eu sei que ele pode sair daqui da cadeia pela porta da frente daqui a pouco, porque ele já tem um advogado, mas a Justiça precisa entender que minha irmã nunca mais vai voltar. Qual a defesa de um assassino?", questionou ela.
AO CORREIO, Maraísa disse não falava com o cunhado há alguns anos por causa do comportamento agressivo que ele tinha com a irmã. Ela afirma ainda que, por vezes, Isabel saiu de casa, mas sempre retornava. "Eu briguei e enfrentei ele, mas ela acabou voltando. Ele não a amava, porque já chegou a trair ela várias vezes com outras mulheres, inclusive, ficou noivo de uma. O que ele tinha por ela era possessão. Ela só podia sair com a família dele e não podia nem sair de casa direito", contou Maraísa
O casal estava junto há 21 anos e tinha duas filhas adolescentes, que estão com parentes da família da mãe na cidade de Feira de Santana. De acordo com informações de Maraísa, a filha mais nova não tinha uma boa relação com o pai por causa das agressões que ele fazia à mãe. "Ela sempre dizia pra minha irmã que não ia, preferia ficar solteira do que ter um companheiro como meu cunhado. Minha sobrinha sempre falava que ele não era exemplo de pai e nem de marido", diz. 
Tudo pela família
Tudo o que mais Isabel queria era preservar a sua família. A prova disso era a dedicação exclusiva que ela dava ao marido e às filhas, segundo Maraísa. "Minha irmã vivia para esse homem e para as filhas. Tanto que ela perdoava ele várias vezes pela outras agressões e traicões. Ela acreditava que ele ia mudar, mas isso não aconteceu. Minha irmã não entendia que estava em um relacionamento abusivo". disse
Segundo Maraísa, o casal e as filhas tinham feito uma viagem em família para o Rio de janeiro no último mês de maio. 
Relembre o caso
Vítima de mais um caso de feminicídio, a atendente estava em casa quando foi asfixiada pelo ex-companheiro, na última sexta-feira (22). Foi ele mesmo que a levou para a UPA do bairro de Itapuã. A equipe que atendeu a vítima constatou que ela já estava morta e desconfiou da versão contada por ele, de que Isabel teria caído, porque Jairo estava sem camisa e com marcas de arranhão pelo corpo.
Assim que Isabel deu entrada na UPA, Maraísa foi avisada por enfermeiras da unidade. “Me disseram que ela tinha passado mal e que por isso estava lá. Quando cheguei, foi o momento que elas falaram a verdade para mim. Fiquei arrasada”, contou a irmã da vítima. 
No mesmo momento que ligaram para Maraísa, as enfermeiras acionaram a Polícia Militar do posto, que prendeu Jairo.
“As enfermeiras desconfiaram pelo fato de Jairo ter chegado de bermuda, sem camisa e com arranhões no rosto, como se minha irmã tivesse lutado para não morrer”, contou.  
O corpo de Isabel foi enterrado no sábado (23), no Cemitério do Campo Santo, na Federação.
Veja onde buscar ajuda em casos de violência doméstica:
Cedap (Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa) – Atendimento médico, odontológico, farmacêutico e psicossocial a pessoas vivendo com HIV/AIDS. Endereço: Rua Comendador José Alves Ferreira, nº240 – Fazenda Garcia. Telefone: 3116-8888. 
Cedeca (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan) – Oferece atendimento jurídico e psicossocial a crianças e adolescentes vítimas de violência. Endereço: Rua Gregório de Matos, nº 51, 2º andar – Pelourinho. Telefone: 3321-1543/5196. 
Cras (Centro de Referência de Assistência Social) – Atende famílias em situação de vulnerabilidade social. Telefone: 3115-9917 (Coordenação estadual) e 3202-2300 (Coordenação municipal) 
Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social) – Atende pessoas em situação de violência ou de violação de direitos. Telefone: 3115-1568 (Coordenação Estadual) e 3176-4754 (Coordenação Municipal) 
Creasi (Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso) – Oferece atendimento psicoterapêutico e de reabilitação a idosos. Endereço: Avenida ACM, s/n, Centro de Atenção à Saúde (Cas), Edifício Professor Doutor José Maria de Magalhães Neto – Iguatemi. Telefone: 3270-5730/5750. 
CRLV (Centro de Referência Loreta Valadares) – Promove atenção à mulher em situação de violenta, com atendimento jurídico, psicológico e social. Endereço: Praça Almirante Coelho Neto, nº1 – Barris, em frente a Delegacia do Idoso. Telefone: 3235-4268. 
Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) – Em Salvador, são duas: uma em Brotas, outra em Periperi. São delegacias que recebem denúncias de violência contra a mulher, a partir da Lei Marinha da Penha. 
Deam Brotas – Rua Padre José Filgueiras, s/n – Engenho Velho de Brotas. Telefone: 3116-7000. 
Deam Periperi – Rua Doutor José de Almeida, Praça do Sol, s/n – Periperi. Telefone: 3117-8217. 
Deati (Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso) – Responsável por apurar denúncias de violência contra pessoas idosas. Endereço: Rua do Salete, nº 19 – Barris. Telefone: 3117-6080. 
Derca (Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente) Endereço: Rua Agripino Dórea, nº26 – Pitangueiras de Brotas. Telefone: 3116-2153. 
Delegacias Territoriais – São as delegacias de cada Área Integrada de Segurança Pública. Segundo a Polícia Civil, os estupros que não são cometidos em contextos domésticos devem ser registrados nessas unidades. Em Salvador, existem 16 (http://www.policiacivil.ba.gov.br/capital.html). 
Disque Denúncia – Serviços de denúncia que funcionam 24 horas por dia. No caso de crianças e adolescentes, o Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos oferece o Disque 100. Já as mulheres são atendidas pelo Disque 180, da Secretaria de Políticas Para Mulheres da Presidência da República. Fundação Cidade Mãe – Órgão municipal, presta assistência a crianças em situação de risco. Endereço: Rua Prof. Aloísio de Carvalho – Engenho Velho de Brotas. 
Gedem (Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher do Ministério Público do Estado da Bahia) – Atua na proteção e na defesa dos direitos das mulheres em situação de violência doméstica, familiar e de gênero. Endereço: Avenida Joana Angélica, nº 1312, sala 309 – Nazaré. Telefone: 3103-6407/6406/6424. 
Iperba (Instituto de Perinatologia da Bahia) – Maternidade localizada em Salvador que é referência no serviço de aborto legal no estado. Endereço: Rua Teixeira Barros, nº 72 – Brotas. Telefone: 3116-5215/5216. 
Nudem (Núcleo Especializado na Defesa das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Defensoria Pública do Estado) – Atendimento especializado para orientação jurídica, interposição e acompanhamento de medidas de proteção à mulher. Endereço: Rua Pedro Lessa, nº123 – Canela. Telefone: 3117-6935. 
Secretaria Estadual de Políticas Para Mulheres Endereço: Alameda dos Eucaliptos, nº 137 – Caminho das Árvores. Telefone: 3117-2815/2816. 
SPM (Superintendência Especial de Políticas para as Mulheres de Salvador) – Endereço: Avenida Sete de Setembro, Edifício Adolpho Basbaum, nº 202, 4º andar, Ladeira de São Bento. Telefone: 2108-7300. 
Serviço Viver – Serviço de atenção a pessoas em situação de violência sexual. Oferece atendimento social, médico, psicológico e acompanhamento jurídico às vítimas de violência sexual e às famílias. Endereço: Avenida Centenário, s/n, térreo do prédio do Instituto Médico Legal (IML) Telefone: 3117-6700. 
1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar – Unidade judiciária especializada no julgamento dos processos envolvendo situações de violência doméstica e familiar contra a mulher, de acordo com a Lei Maria da Penha. Endereço: Rua Conselheiro Spínola, nº 77 – Barris. Telefone: 3328-1195/3329-5038.