Greve mostra a força do WhatsApp para o bem e para o mal

 A velocidade com que os caminhoneiros pararam o País inteiro na semana passada pegou o governo federal de surpresa. Ciente do problema das sucessivas altas do diesel e da insatisfação dos caminhoneiros, que ameaçavam entrar em greve, o governo não conseguiu antecipar que, munidos apenas de telefones celulares, os caminhoneiros conseguiriam fazer um movimento coordenado e eficaz, do ponto de vista grevista, em todo o País. 
O governo teve que agir na mesma proporção, mas só 'acordou' no quarto dia de greve, quando o País já estava à beira do colapso. Autorizou as forças federais a promover os desbloqueios, por meio da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e montou um gabinete de crise e monitoramento no Palácio do Planalto interministerial, coordenado pelo Gabinete de Segurança Institucional, trabalhando praticamente vinte e quatro horas por dia. 
Nas estradas, os caminhoneiros recebiam informações em grupos de WhatsApp, de um forma tão uniforme que nenhum movimento sindical jamais foi capaz de fazer. Ao receber informações sobre as greves pelo Facebook, os caminhoneiros já clicavam em um link que os adicionava a um grupo de WhatsApp sobre a paralisação. O governo admitiu que teve que aprender a lidar com o que chamou de um movimento 'horizontalizado'. 
A greve que parou o País serviu para mostrar para o Brasil e para o mundo a força mobilizadora que o WhatsApp tem. Assim como os caminhoneiros conseguiram se comunicar como nunca antes para um mobilização, as notícias falsas também se espalharam na mesma proporção. Os organizadores do movimento tiveram que remover caminhoneiros que espalhavam notícias falsas nos grupos e pedir que vídeos tivessem data, hora e local. Fora da categoria, em outros grupos pelo Brasil, circulava um vídeo de invasão à Câmara, atribuído a caminhoneiros, mas tratava-se de uma manifestação antiga.
Ontem, no 11º dia de greve e com o movimento finalmente terminado e a volta gradual do abastecimento, o governo teve que novamente lidar com informações, desta vez falsas, boatos , espelhados pelo WhatsApp dizendo que os caminhoneiros voltariam a cruzar os braços na segunda-feira (4). 
O governo se adiantou, monitora os boatos e já disse que as informações são falsas. Apesar do governo ter comemorado a sua própria reação e o conhecimento gerado nos 11 dias de greve, a propagação de boatos e notícias falsas durante as Eleições deste ano e seus impactos ainda não difíceis de serem medidos. 
O contra-ataque do governo ao estilo militar
Enquanto os caminhoneiros usavam da tecnologia para viabilizar os protestos, o governo reagiu ao estilo militar. O chefe do Estado Maior das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho, disse que a estrutura foi uma "gigantesca logística de emergência jamais realizada no País". 
— Na sexta-feira à noite nós estabelecemos um centro de operação integrada aonde nós tínhamos representantes depois o centro operativo da PRF passou a fazer parte desse centro, com representantes de todos os ministérios envolvidos: Minas e Energia, Agricultura, Trabalho, Justiça, Segurança Pública, Desenvolvimento, representantes de todo o setor de abastecimento de combustíveis, Anac, ANP, e nos Estados nós criamos comandos de operações também integrados onde também fizeram parte os órgãos de segurança Pública dos Estados. Desde o começo estabelecemos cinco prioridades e em cima dessas prioridades nós fizemos planejamento e cumprimos esse planejamento.
Na terça, quando a greve já cedia, ele disse: "Trabalhamos em silêncio durante cinco dias". R7