Após aceitar denúncia, STF mantém prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima

Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (8) manter na cadeia o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso desde setembro do ano passado no presídio da Papuda, em Brasília. Em decisão unânime, os ministros negaram o pedido de liberdade da defesa.
Pouco antes, Geddel, o irmão e deputado federal Lúcio Vieira Lima, a mãe Marluce Vieira Lima e outros dois se tornaram réus no STF por lavagem de dinheiro e associação criminosa no caso dos R$ 51 milhões encontrados em apartamento em Salvador.
Votaram pela manutenção da prisão:
Edson Fachin;
Dias Toffoli;
Ricardo Lewandowski;
Gilmar Mendes;
Celso de Mello.
Geddel já havia sido preso antes, em julho, devido a suspeitas de que recebia propina na Caixa e teria tentado evitar a delação do doleiro Lúcio Funaro, um dos operadores do esquema de corrupção ligado ao MDB. Na sessão desta terça, os ministros consideraram que havia risco de novos crimes.
"Há desse modo consistente lastro indiciário, concreto, suficiente, factível, a sugerir reiteração criminosa. Afronta a ordem pública e está apta a uma medida drástica, a da segregação cautelar”, afirmou, em seu voto, o ministro Edson Fachin, lembrando da apreensão do dinheiro no apartamento.
Na sessão, o advogado de Geddel, Gamil Foppel, disse que não havia risco de reiteração nos crimes e que o ex-ministro não tem a obrigação de assumir a posse do dinheiro.
"Nós não assumimos a propriedade desses recursos. Vamos dizer que fossem dele. Ele estava preso. Vamos achar que ele vai buscar o dinheiro, deixar a cautelar porque ele saiu e produzisse prova contra ele próprio? O sujeito estava preso dentro de casa, o que se esperaria dele? Que dissesse: esse dinheiro é meu? A Constituição assegura atos de não incriminação”, disse o advogado.
A prisão preventiva, decretada antes de eventual condenação, não tem prazo determinado para terminar.Voa : G1